1/12/2016

Coisa...





DETRAN-SP

Eu não estava acreditando em nada do que ele dizia; se cuspisse seria mais fácil de acreditar.

Tenho vagas lembranças daquele antigo DETRAN do Ibirapuera, aqui em São Paulo, que ainda me causam sensação de repulsa. As lembranças. Era muita gente querendo se livrar dos papéis, despachantes, gente de todo jeito.

Sabe um vídeo que está rolando na internet?
De um cara que entrou num túnel abandonado, sem endereço, foi caminhando e a cada passo a temperatura baixava; frio, escuro, assustador; acendeu a lanterna e leu uma sequência de numeração na parede, que decrescia a cada metro adentrado; viu ossos e detritos pelo chão batido, temperatura já a 10°C, quando ouviu vozes estranhas, um vulto negro, e um barulho grotesco, tipo bem animalesco:  trevas 2x. Virou-se e saiu correndo de volta à vida.

Pois comigo foi parecido: um dia entrei no Detran, sem elevador, e subi as escadas: ninguém; só penumbra, fios, rabiscos, paredes descoradas, horrível. Era para ter dado a volta, mas já era tarde.
Que eu fui fazer lá? Sei lá, cada encrenca que eu me meto. Sei que uma vez eu fui pesquisar quem era o dono do carro cuja chapa eu anotara: surpresa! e meus olhos se abriram: o funcionário me deu tudo: nome e endereço completo do tal.  Isso mesmo, o que não se faz o Detran resolvia pra você.

De outra vez, eu já entrei equipada com uma câmera daquelas que agente apoia nos ombros, anos 80, sabe? Pronto. Encrenca no saguão do Detran. É muito zelo. Um me parou - "entrega a fita" etc...não entrego. Então espera lá na sala... sei lá de quem. Entrei e me sentei num sofá. O sr. zeloso maior atrás da sua mesa de madeira escura antiga me explicava o que era certo e errado nessa vida. Ele achava que eu assentia; aí ele fingia que acreditava no que estava dizendo. Eu fazia ele pensar que ele estava me convencendo; inútil. Então a frase do início se encaixa aqui: "Eu não estava acreditando..."