Palavras para que foram ditas...
Querendo-se, em nome da Fazenda
Real, extorquir-lhe uma confissão escrita de dívida, objetou com energia: "Nada devo à Real Fazenda!
“Estavam as
coisas neste pé, quando Martins Lustosa, voltando-se para a rua, ao sentir o
galopar de cavalos, viu os cavalarianos que vinham em seu auxílio ao mando de
seu filho e de seu cunhado. Era o momento preciso.
A “pena
de ganso” com a qual deveria firmar o documento de débito acabava de ser-lhe
entregue. Ao sentir-se apoiado pelos recenvindos, segurou com a mão esquerda a
pena, enquanto com a direita desembainhou o espadim, e, com gesto de quem a aparava, fê-la em pedaços; e, com o que lhe restou na mão, emergindo no
tinteiro, inutilizou o documento, com grande espanto de todos.
O juiz,
escandalizado e encolerizado, reclama respeito e obediência à sua alta
autoridade.
- Mas que é um juiz?
É acaso algum rei? pergunta calmamente Lustosa.
- Um juiz, responde o interrogado arrebatadamente, é a mais
alta autoridade e, no exercício de suas atribuições, vale tanto ou mais que
El-Rei !
Palavras
para que foram ditas... era o que pretendia ouvir Lustosa, que imperiosamente
exclama:
- Tome, Sr. Escrivão,
por termo as declarações deste biltre que diz que um juiz vale mais que El-Rei!
E, dirigindo-se para o auditório, diz: Sirvam os senhores de testemunhas ao fato. E voltando-se para o escrivão: Sr. Escrivão, vamos ao termo!
Viraram-se
os papéis, o juiz converte-se em cordeiro, de lobo que era, e, suplicante e
humilde, pede desculpas, dando por finda a audiência, com o protesto de pôr fim ao incidente.”
Por essa forma, livrou-se Martins Lustosa de um processo
iníquo, semelhante aos que levaram para a cadeia de S. João de El-Rei , por
nove e dez anos, Valério Brandão e outros mineiros.”



0 Comments:
Postar um comentário
<< Home